O Poder das Imagens

Quando entendemos que somos um reflexo do que vemos no externo podemos perceber como tudo o que nos rodeia exerce uma grande influência em nossas vidas. O ser humano é guiado por estímulos e tudo o que nos é apresentado surge como uma ideia, um conceito, uma sensação.

É interessante perceber como o Feng Shui pode nos trazer um ângulo diferente para observarmos como os espaços nos afetam, mas outras técnicas também podem apresentar novas formas de visão e compreensão sobre como somos influenciados em nosso dia a dia pelos ambientes que frequentamos.

Uma delas é a Publicidade e a Propaganda. Apesar das técnicas de harmonização utilizarem o conceito de que as cores, as formas e as imagens escolhidas para uma casa alimentam nossas mentes com sensações, a publicidade também usa essa forma de linguagem para nos influenciar. Isso se chama “Propaganda Subliminar”.

Se procurarmos na internet referências sobre o assunto encontraremos milhares de páginas citando grandes marcas que se utilizam dessa forma de comunicação como arma. Seu poder reside no fato de utilizar uma linguagem compreendida instantaneamente pelo nosso inconsciente, ou como também é conhecido, nosso grande arquivo.

O inconsciente é capaz de assimilar tudo o que passa por nossa visão e traduzir diretamente como uma sensação ou emoção. Quando entramos em contato com as imagens, mesmo que conscientes não consigamos perceber a intensão, nenhum detalhe foge da percepção do inconsciente.

Alguns acreditam que essa foi a grande estratégia que tornou uma marca de refrigerantes tão conhecida e importante até hoje. Quando o cinema foi criado a empresa havia inserido, ao longo de cada filme, seu logo com uma frase que, imperativamente, ordenava o consumo da bebida.

Quase ninguém prestava atenção no anúncio, que se apresentava pequeno e discreto no canto esquerdo da tela, mas nada passava batido perante a observação desse nosso grande arquivo. Como resultado as pessoas passavam a consumir o produto, minutos após o encerramento dos filmes.

Certa vez fui chamado por um cliente para analisar a casa de sua mãe. O caso era o seguinte: meu cliente havia se separado da esposa há pouco tempo e iria se mudar para um novo apartamento que ainda estava sendo construído. Como havia feito o projeto de seu escritório com grande êxito, fui contratado para harmonizar seu novo lar.

Antes do projeto se concretizar meu cliente expressou o desejo de oferecer também um projeto à sua mãe, pois não ficaria em um hotel durante a reforma, para fazer companhia à recém viúva. Quando visitei a casa em questão, encontrei uma senhora em idade avançada e com um quadro de depressão muito acentuado.

Notei que, ao abrir a porta de entrada, podia avistar um antigo sofá no modelo “namoradeira”, com um grande boneco de ventríloquo na forma de um palhaço. A figura parecia viva e, com certeza, não fui o único a me assustar com o objeto.

Ao adentrar melhor o espaço, pude perceber que o tema palhaço era geral: máscaras, objetos, bibelôs e milhares de imagens com essa referência faziam parte da decoração. Meu cliente já havia me alertado sobre o fato da compulsão da mãe por palhaços ter aumentado após a morte do marido, mas não imaginava que o exagero imperasse.

Minha primeira sugestão foi remover todas as imagens que traziam os palhaços com a boca para baixo, pois alimentavam ainda mais a sensação de tristeza e de falta de entusiasmo. O palhaço, apesar de criar a alegria, representa um ser melancólico e solitário, características que notavelmente eram presentes na vida daquela senhora.

Depois de analisar quase toda a casa algo me chamou muito a atenção. Um quadro posicionado ao lado da porta de entrada, perceptível somente ao sair da casa, ilustrava a imagem, com fundo negro, do rosto de um palhaço aos prantos que, com lágrimas nos olhos, avistava a imagem de sua tenda pegando fogo. O retrato impressionava e então pude constatar o principal elemento que nutria a mente com a ideia de fim.

Após um longo debate convenci a dupla a remover o quadro, trocando a imagem assustadora por fotografias da família em momentos felizes e o resultado foi quase imediato. Mãe e filho se abraçaram e perceberam que a vida ainda poderia proporcionar novas e positivas possibilidades!

Depois de alguns meses pude comprovar os efeitos da mudança de cenário, pois a mesma senhora depressiva e sem vontade havia rejuvenescido dez anos. Sua participação na escolha de toda a decoração para o apartamento de seu filho era ativa. Ao falar, com brilho nos olhos, sobre os planos para reformar sua casa e da longa viagem que faria pela Europa, percebi como o meio em que vivemos pode nos afetar e criar grandes mudanças em nossas vidas.

Ao escolher algo para emoldurar suas paredes reflita sobre as sensações que as imagens traduzem para o seu emocional. Essa será a forma mais sensata de analisar os efeitos das imagens e de criar um aspecto mais positivo para sua mente e sua vida.

Uma excelente semana a todos,
Luz e Amor
Luiz Netto

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